10 de Setembro de 2017 Cícero Araújo
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Mundo. Levantamento realizado pela Universidade de Oxford aponta que 63,9% dos empregos no mundo estão ameaçados

 

Quando o empresário Anderson Teixeira concluiu a faculdade de economia não imaginou que anos depois mudaria de área de atuação profissional. Trabalhando em uma grande empresa paraibana, ele foi desafiado a interligar os processos da área de tecnologia com os demais setores da organização. Inicialmente, o propósito era compreender melhor as atividades relacionadas ao novo campo, porém o interesse aumentou e a carreia profissional dele seguiu novos rumos.
 
“Quando entrei no mercado de trabalho não imaginava uma mudança profissional, mas a área de tecnologia me trouxe uma realização maior, me oferecendo resultados práticos de trabalho”, disse o empresário. 
 
Ele explicou que todo o conhecimento adquirido na faculdade de economia continua sendo fundamental para a atividade que ele exerce. “A minha empresa fornece soluções e ferramentas que auxiliam os nossos clientes a gerar valor rapidamente ao seu negócio, através do controle de processos, do controle financeiro, entre outros produtos. Tudo que aprendi no curso de economia é base para as soluções que desenvolvemos”, disse. 
 
A experiência de Anderson Teixeira segue uma tendência mundial, em que a tecnologia impacta cada vez mais a carreira das pessoas, as organizações, rotinas de trabalho e modelos de negócio. Pesquisas indicam que nos próximos anos várias profissões e atividades serão extintas e outras terão que se ajustar às exigências do mercado.
 
Segundo levantamento realizado na Universidade de Oxford, Inglaterra, encomendada pelo Citigroup, 63,9% dos empregos no mundo estão ameaçados pelas novas tecnologias. Já o estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), indica que 57% das vagas de emprego podem passar pelo processo de automação e robotização nos 34 países vinculados à organização.
 
Para o professor de Ciência da Computação da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e organizador da Olimpíada Paraibana de Informática (OPI), Rohit Gheyi, as pessoas não perderão mercado de trabalho para as máquinas. “Acho que as pessoas continuarão tendo um espaço importante. Talvez algumas atividades possam perder espaço, mas com certeza outras atividades surgirão”, disse.
 
De acordo com a psicóloga Cynara Correia, especialista em planejamento pessoal, o surgimento de novas profissões a partir das tecnologias não é novidade. “Em muitas empresas é possível observar a presença de jovens talentosos e criativos, desde cedo acostumados com a tecnologia, junto com profissionais de mais experiência e tempo de carreira”, disse. Para ela, esta é uma oportunidade para ambos.

 

Nativo digital aprende desde cedo

 

Leonardo Mota Filho tem 12 anos e assim como qualquer criança adora brincar, estar com os amigos e praticar esportes e, claro, jogar no celular e computador. Mas diferente da maioria dos meninos da sua idade, ele também programa jogos e aplicativos. 
 
Aluno do 7º ano do ensino fundamental, além de nativo digital (nascido após o ano 2000), Leonardo faz parte da geração que está aprendendo a linguagem da computação ainda na infância.
 
O contato do garoto com a tecnologia começou cedo, aos cinco anos, já aprendendo conceitos de informática e programação com o pai, que é formado em ciência da computação. 
“Sempre vimos a informática como algo que ele precisava aprender para o futuro. Por isso incentivamos desde cedo”, disse Leonardo Mota.
 
O garoto é um dos exemplos do movimento mundial, encabeçado por grandes nomes da tecnologia, que tem estimulado a difusão e aprendizado da linguagem da programação de computadores para crianças e jovens. Para personalidades como Mark Zuckerberg (fundador do Facebook) e Bill Gates (fundador do Microsoft), dominar código binário é tão importante quanto o processo de alfabetização. Ambos defendem o ensino da programação desde cedo e apoiam iniciativas que colaboram com a difusão da linguagem.
 
E por que? Porque preparar e habilitar os mais jovens para um futuro permeado por automação, robótica e inteligência artificial é urgente. Embora não existam informações precisas sobre o mercado que os futuros e atuais profissionais irão encontrar, o certo é que cada vez mais a tecnologia se fará presente.
 
Para o professor de engenharia da computação e proprietário da unidade da Super Geeks João Pessoa, que ensina programação e robótica para crianças e adolescentes, Marcelo Cainelli, não há dúvidas que o mercado está exigindo profissionais com conhecimentos mais profundos em tecnologia. 
 
De acordo com Marcelo, além de ampliar as chances de oportunidades no mercado de trabalho, o contato com a programação desenvolve habilidades importantes, como pensamento computacional (capacidade de dividir o problema em partes menores e criar planos para resolvê-los), raciocínio lógico e sistêmico, a criatividade, além de contribuir para o aprendizado do inglês, física e matemática, entre outros.

 

 
 
 
Kaylle Vieira  Especial para o Correio 

 



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