15 de Outubro de 2017 Cícero Araújo
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País. SUS gasta atualmente cerca de R$ 6 bi por ano com auxílios para acidentes ou doenças ocupacionais

 

Nos últimos quatro anos, transtornos mentais e comportamentais, como altos níveis de estresse, foram a terceira maior causa de afastamento dos trabalhadores brasileiros. No ano passado, na Paraíba, 1.360 pessoas foram afastadas em função destes motivos (3.326 nos últimos três anos).
No Brasil, mais de 17 mil casos de concessão do auxílio-doença e da aposentadoria por invalidez foram registrados entre 2012 e 2016 com este motivo, segundo o Boletim Quadrimestral sobre Benefícios por Incapacidade, pesquisa produzida pela pasta em parceria com a secretaria de Previdência do Ministério da Fazenda, que trata dos benefícios concedidos por incapacidade temporária e definitiva.
 
Estima-se que o Sistema Único de Saúde (SUS) gaste atualmente cerca de R$ 6 bilhões por ano com auxílios para acidentes ou doenças ocupacionais. Estão fora deste valor os gastos da previdência com aposentadorias precoces.
 
De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o estresse pode causar alterações “agudas e crônicas” no comportamento dos empregados, principalmente “se o corpo não consegue descansar e se recuperar” das atividades trabalhistas. Já outro estudo realizado com base nos auxílios-doença concedidos pelo Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), revela que a dor nas costas é a doença que mais afastou os funcionários de empresas em 2016, em especial no setor público.
 
 Fraturas de perna e tornozelo, punho e mão estão entre a segunda e terceira maior causa de afastamento. Ocasionadas por atividades repetitivas, as dores acabam afastando mais funcionários de empresas públicas do que de privadas, seguido por trabalhadores de atividades relacionadas ao comércio varejista, como supermercados, e do setor hospitalar.

 

Empresas tentam se prevenir

Paraíba. Levantamento do Sesi aponta que 48% promovem ações para aumentar segurança no ambiente laboral e saúde de trabalhadores 

 

No ano passado, foi realizado um levantamento do Serviço Social da Indústria (SESI) com 500 médias e grandes empresas que mostra que, para 48% delas, ações para aumentar a segurança no ambiente laboral e promover a saúde de trabalhadores reduzem as faltas ao trabalho,sendo que 71,6% das indústrias afirmaram dar alta atenção à saúde e segurança dos trabalhadores. Além disso, na visão de 76,4% dos entrevistados, o grau de atenção da indústria brasileira ao tema deve aumentar nos próximos cinco anos - para 13,2%, essa atenção deverá aumentar muito.
 
A pesquisa mostra ainda que a alta importância dada ao tema está relacionada, sobretudo, à preocupação com o bem-estar do trabalhador, à maior conscientização das empresas e à prevenção de acidentes de trabalho.
 
De acordo com o diretor de Operações do SESI Nacional, Marcos Tadeu de Siqueira, a importância que as empresas dão ao tema se reflete na redução dos acidentes e doenças ocupacionais no Brasil. Dados do Ministério do Trabalho e Previdência Social apontam que o número de acidentes de trabalho por grupo de 100 mil trabalhadores caiu mais de 17% entre 2007 e 2013 - de 1.378, em 2007, para 1.142, em 2013. “Os acidentes e doenças trazem grande variedade de despesas, desde custos médicos e indenizações aos trabalhadores e famílias até perda de produtividade e desgaste da imagem das empresas”, destacou.

 

Monitoramento no trabalho

 

 A pesquisa mostrou ainda a maioria das empresas realiza programas de promoção da saúde de trabalhadores que vão além do cumprimento de requisitos legais. Entre as principais ações estão a gestão dos afastamentos por doenças, executada por 87,8% das indústrias, e o monitoramento de aspectos ergonômicos no ambiente de trabalho, feito por 84% dos empreendimentos.
 
Exemplo de empresa que vai além das exigências legais quando o assunto é saúde e segurança no trabalho é a Coteminas, do setor têxtil. Nas unidades de João Pessoa e Campina Grande, com cerca de quatro mil funcionários, realizam desde 2009 diagnósticos para mapear as necessidades dos trabalhadores e planeja ações juntamente com o SESI para combater os principais problemas de saúde dos funcionários. Na primeira pesquisa, a indústria identificou mais fortemente problemas de obesidade, sedentarismo e uso de drogas, como álcool e cigarro.
 
Com isso, a empresa passou a intensificar campanhas de estímulo à prática esportiva e combate ao uso de drogas. “Hoje, as incidências de uso de cigarro e álcool entre os funcionários são mínimas e passamos agora a dar mais suporte aos familiares”, conta Cosme. Essas iniciativas contribuíram para a elevação do bem-estar e melhora da saúde dos trabalhadores. “Além da melhoria do ambiente de trabalho, com essas ações conseguimos reter talentos”, comemora o gerente de Recursos Humanos e Gestão da Qualidade da empresa, Iran Cosme.

 

Em dois anos, mais de 48 mil foram afastados na indústria

 


O levantamento do SESI foi realizado no setor de máquinas e equipamentos, construção, instalação e manutenção, indústria metalúrgica, indústria alimentícia, vestuário, embalagens e plásticos, têxtil, papel e celulose, calçados, energia, madeireiro, bebidas, entre outros.
 
De acordo com as empresas, os aspectos da área de saúde e segurança que mais prejudicam a produtividade dos trabalhadores são acidentes e estresse no trabalho seguidos de doenças crônicas não-transmissíveis, como problemas osteomusculares, pressão alta e diabetes.
 
‘Encostadas’. Mais de 48 mil pessoas ficaram ‘encostadas’ pelo instituto nos anos de 2014 e 2015, o que representa 11% dos trabalhadores da Paraíba. Cada uma ficou, em média, 245 dias afastada da função.

 

 

 

 

 

Redação 



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