3 de Junho de 2017 Cícero Araújo
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Computador, TV e celular podem adoecer crianças

O século XXI trouxe consigo a geração Z. Crianças e adolescentes nascidos entre 1999 e 2010, que vieram ao mundo imersos e completamente afogados no mar das tecnologias de informação e comunicação. E se a forma de se comunicar mudou, os hábitos também mudaram. Se antes, o momento de lazer da maioria das crianças passava por brincadeiras nas ruas e esportes coletivos, hoje, se resume a um computador ou televisão. Essa rotina introvertida, na qual as crianças se comunicam com muitas pessoas, mas ao mesmo tempo não interagem com ninguém, pode trazer sérios danos à saúde, principalmente a longo prazo. E o principal deles, é a redução da massa óssea causada pelo sedentarismo moderno. Com isso, problemas como osteoporose são mais passíveis de aparecer de maneira célere e antes do tempo comum.


O corpo humano é uma máquina, e quanto mais usamos determinada parte desta máquina, mais ela se desenvolve. Por outro lado, quanto menos usamos alguma parte do nosso corpo, a sua tendência é atrofiar. Por esse motivo, as crianças e adolescentes que passam a maior parte do tempo inertes e sem movimentar o corpo, naturalmente têm a massa óssea reduzida, em uma época da vida fundamental para o desenvolvimento dos ossos, como alerta o médico ortopedista e traumatologista Caio Paiva Rocha. “A massa óssea é trabalhada até os 25 anos, por isso deve ser bem trabalhada até essa idade. Se for bem desenvolvida a pessoa não vai ter osteoporose cedo, só a senil, se for o caso, que pode acontecer, principalmente nas mulheres após a menopausa”, explica Caio.

Vitamina D

Além disso, o médico explica que a vitamina D é essencial para um bom desenvolvimento dos ossos. O grande problema é que os adolescentes estão cada vez mais afundados na solidão de um quarto escuro sob a luz de uma tela, o que impede os raios solares recheados de vitamina D de atingirem a massa óssea. “Nas crianças é a falta de uso mesmo, falta de sol, falta de contato com o exterior. Vemos crianças que têm vitamina D com dosagem baixa, que deveria ser acima de 30, mas ficam 17 e 18. A alimentação também contribui para esse número. Têm que fazer mais atividades ao ar livre, não ficarem presos no apartamento trancados”, salienta o ortopedista. Por fim, o médico orienta os pais que outros problemas ósseos podem surgir oriundos de maus hábitos. “Tem criança que desenvolve tendinite de tanto digitar, porque eles não conversam mais no telefone, preferem digitar. Os pais devem ficar em alerta para orientar seus filhos a serem crianças, e não levar uma vida de escritório”, finalizou Caio Paiva.

Sedentarismo infantil

Dona Maria Augusta Sá sabe bem o que é ter um filho sedentário. Guilherme Sá tem apenas sete anos e pesa quase 40kg, quando seu peso ideal deveria ser entre 25 e 30kg. E os hábitos da criança são o que refletem o sobrepeso. Guilherme não pratica esportes e tem como principal colega o tablet que ganhou de aniversário. “A gente fica preocupada, né? Eu já fui ao médico e disse que ele tem tendência a diabete, o que deixa a gente nervosa. Eu estou tentando melhorar a alimentação e o próximo passo é levar ele pra fazer um exercício físico”, declarou preocupada a mãe de Guilherme, dona Maria Augusta.

O educador físico, Vinícius Serrano, alerta que a alguns exercícios físicos não são aconselháveis para crianças e orienta os pais a procurem atividades que despertem o interesse dos filhos. “Não existe uma restrição específica de exercícios para crianças, mas devemos evitar aqueles que geram muito sobrecarga, para não atrapalhar o desenvolvimento das crianças, comprometendo suas articulações, mas no geral todo exercício é bem vindo, basta ser de uma forma lúdica para atrair a criança, pois o exercício tem que ser algo prazeroso e não uma obrigação”, declarou Vinícius.

Ainda, o educador físico salientou os riscos que crianças sedentárias podem sofrer. “Sabemos que as crianças passam muito mais tempo paradas em frente à televisão ou em algum aparelho eletrônico e, aliado a isso, costumam ter uma má alimentação, como frituras, doces, e comidas industrializadas. Desse modo deixam de fazer diversas atividades corriqueiras como correr, pular, gritar, deixando de se exercitar e acabam se tornando sedentárias. O impacto do sedentarismo nas crianças leva a obesidade, hipertensão, diabetes, má coordenação motora e mal funcionamento do corpo”, constatou Vinícius Serrano. Por fim, o professor de educação física deu dicas de como os pais podem ajudar os filhos a “correr” dos problemas de saúde. Confira:



  1. Se exercitar com os filhos;


  2. Estabelecer rotinas: caminhadas ecológicas, brincadeiras em parques;


  3. Definir limites de tempo para permanecer utilizando equipamentos eletrônicos;


  4. Pais comprarem alimentação mais saudável para a todos da casa.
 
 
 
Por Luís Eduardo Andrade  


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