Além de aumentar as metas de déficit fiscal de 2017 e 2018, o governo calcula que precisa gerar novas receitas e cortar ao menos R$ 10 bilhões em despesas com servidores e obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para fechar suas contas. Integrantes da equipe econômica trabalham com outras medidas que possam ampliar as receitas em 2018. Uma delas é regulamentar os jogos de azar no Brasil.
 
O projeto de regulamentar os jogos ganhou força, com previsão de arrecadação de R$ 20 bilhões no ano. A proposta precisaria ser aprovada pelo Congresso.
 
Caso não seja possível, há estudos para fazer a concessão da Lotex por cerca de R$ 2 bilhões, e, por meio de medida provisória, permitir que empresas, inclusive estrangeiras, possam atuar como concessionárias de apostas eletrônicas.
 
Os estudos estão avançados e indicam que seria possível levantar pelo menos R$ 6 bilhões. Por ano, o negócio geraria R$ 4 bilhões em impostos. No setor elétrico, o governo estuda leiloar sobras de energia. Para contratos de cinco anos, a União conseguiria levantar R$ 2,9 bilhões. Para 20 anos, a outorga poderia render até R$ 27 bilhões.

 

Ampliação do déficit

 

O governo pretende ampliar o déicit deste ano de R$ 139 bilhões para R$ 159 bilhões e, para o próximo ano, de R$ 129 bilhões para R$ 159 bilhões. Os números já levam em conta a frustração de receitas com o Refis, que não deve avançar como o esperado no Congresso.
 
Sem o projeto de renegociação das dívidas com o fisco, o rombo real em 2017 é de R$ 174 bilhões, segundo cálculos da Fazenda. Por isso, Meirelles quer insistir no Refis.
 

O governo previa arrecadar R$ 13 bilhões com o programa, mas tenta negociar um novo texto que gere pelo menos R$ 10 bilhões.
 
Outros R$ 5 bilhões do Orçamento poderiam ser bloqueados para que o rombo não ultrapasse os R$ 159 bilhões. O impasse foi um dos motivos que levaram ao adiamento do anúncio da revisão das metas, previsto para esta quinta.
 
O rombo real calculado para 2018 também está em torno de R$ 170 bilhões, mas o governo quer limitar esse deficit a R$ 159 bilhões.
 
A ideia é cortar gastos para atingir essa marca e, com novas receitas, tentar reduzi-la para R$ 149 bilhões ou menos. Isso seria um sinal ao mercado de que há uma trajetória de controle do rombo.

 

 
 
 
Redação