A obstrução urológica, problema de saúde do presidente Michel Temer, 77 anos, registrado na última quarta-feira e que o levou ao Hospital do Exército, é a hiperplasia prostática benigna ou hiperplasia benigna da próstata (HBP).

Ela é caracterizada pelo aumento do tamanho da próstata com características benignas, porém, sem relação nenhuma com o câncer da próstata. Estima-se que 40% dos homens a partir dos 50 anos de idade tenham esse problema. Na Paraíba, este ano, até o mês de agosto, 148 pessoas foram internadas com hiperplasia da próstata, conforme registram os dados do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS). Uma delas não resistiu e morreu na unidade de saúde. Segundo o urologista Leonardo Fonseca de Andrade, a HBP é o crescimento da parte glandular da próstata – glândula localizada abaixo da bexiga e do tamanho de uma noz (3 cm de diâmetro) – que ocorre em maior incidência em homens a partir dos 50 anos.

No entanto, o especialista ressalta que nem todos os homens nessa faixa etária desenvolvem o problema de saúde. Em alguns casos, frisou que a hiperplasia benigna da próstata é assintomática e em outros casos, sintomática. Quando são sintomáticos, o tratamento pode ser clínico com medicamentos. Dentre os sintomas estão a dificuldade de urinar, redução do jato urinário, demora para a urina sair, frequência urinária menor, aumento da ida ao banheiro, principalmente a noite. Além disso, o homem ainda pode apresentar incontinência urinária e sangramento na urina. Nos casos da HBP será assintomática, o médico frisou que é necessário apenas o acompanhamento do paciente. “Se estiver incomodando, o tratamento é clínico com medicamentos”, comentou.

No entanto, se esse tratamento não obtiver resposta, explicou que é recomendada a retirada da próstata. Além disso, também é orientada a cirurgia nos casos em que ocorre mais de uma retenção urinária (volta a prender), sangramento proveniente da próstata, obstrução do fluxo, comprometendo o fluxo dos níveis dos rins e infecção urinária por conta da retenção. Para detectar o problema, o diagnóstico é realizado por um médico urologista por meio do histórico de sintomas e do exame de toque. Essa é uma das formas de vigilância, que é a realização de exames periódicos. Porém, alguns exames complementares são importantes para o acompanhamento adequado da HBP e o diagnóstico de possíveis complicações como o PSA (realizado por coleta de sangue), urina, ultrassonografia das vias urinárias e urofluxometria (mede a força do jato urinário e o tempo de esvaziamento da bexiga).

De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), acredita-se que um estilo de vida saudável diminui o risco de HPB. Deve-se evitar a obesidade, o sedentarismo e os alimentos gordurosos e ricos em calorias. A chamada dieta mediterrânea, que privilegia verduras, frutas, tomate e peixes, associada à prática de exercícios físicos, seria uma boa sugestão para evitar a hiperplasia benigna da próstata.
 
 
Por Aline Martins